A Toscana não é um destino que se explica apenas com fotos bonitas — ela se vive. É uma região que exige tempo, sensibilidade e, principalmente, boas decisões logísticas para que a experiência seja leve e não cansativa. E aqui está o primeiro ponto que muita gente erra: tentar ver tudo em poucos dias.
Florença é, sim, a melhor base para começar. Localizada no coração da região, ela permite explorar boa parte das cidades em bate-voltas. Mas, na prática, dividir a hospedagem entre duas regiões costuma elevar muito o nível da viagem. Ficar alguns dias em Florença e depois dormir no interior, em meio aos vinhedos, muda completamente a experiência.
Onde ficar na Toscana (e por quê isso muda sua viagem)
Se a ideia é praticidade, Florença funciona perfeitamente. Você faz Pisa, Siena e até San Gimignano sem trocar de hotel. Mas se o objetivo for viver a Toscana — e não apenas conhecê-la — o ideal é incluir noites no interior.
Regiões como Val d’Orcia e Chianti oferecem uma atmosfera completamente diferente: silêncio, vinhedos, pores do sol e hotéis que são parte da experiência.
Entre os hotéis que realmente entregam isso em alto nível, destacam-se:
- Rosewood Castiglion del Bosco: dentro de uma vinícola de Brunello, com experiências exclusivas e privacidade total.
- Castello Banfi Il Borgo: estrutura impecável com uma das vinícolas mais respeitadas da Itália.
- Borgo Santo Pietro: sofisticado, intimista e com foco em bem-estar e gastronomia.
- Como Castello Del Nero: perfeito para quem quer luxo com acesso fácil a Florença.
Esses hotéis não são apenas hospedagem — são destinos.
Cidades que realmente valem entrar no roteiro
A Toscana tem dezenas de vilarejos encantadores, mas alguns são essenciais — e cada um com um papel diferente na viagem.
Pisa:
Visitei Pisa entre Cinque Terre e Florença e fizemos o passeio guiado, que vale cada segundo e centavo investido.
Pisa funciona muito bem como uma parada estratégica, e não necessariamente como base. A Praça dos Milagres concentra tudo: Catedral, Batistério e a icônica Torre. É rápido, objetivo e vale a parada — especialmente com guia, que traz contexto histórico que muda totalmente a percepção.
Tirar fotos fingindo segurar a Torre é o "mico necessário" para todos os visitantes da cidade.
Montalcino:
A famosa cidade do vinho Brunelo, um dos vinhos mais preciosos do mundo, tem também outros sabores e aromas. Está localizada a apenas 40 km de Siena e foi palco de diversas guerras entre Siena e Florença, assim como outras cidades próximas.
Antes de pensar no vinho, visite o centro histórico, que ficar dentro da fortaleza da cidade, chamada Rocca. Ela foi erguida em 1361 e não teve seu charme destruído. Caminhe calmamente pelas ruas estreitas e observe os detalhes.
Depois passe pela Torre do Relógio, pela Piazza del Popolo (com seus arcos são dos séculos XVI e XV), pelo Palazzo dei Priori, pelo Palazzo Comunale e pelo Museu de Arte Sacra, um dos mais importantes da Toscana, localizado no antigo convento ao da Igreja de Santo Agostinho. Outro ponto turístico de importância é o Duomo, construído com tijolinhos, assim como as casas da cidade.
E o orgulho da cidade? Um dos vinhos mais apreciados do mundo é o Brunello di Montalcino. Feito 100% com uvas Sangiovese Grosso e sua colheita acontece em setembro.
O Brunelo foi o primeiro vinho da Itália a obter o certificado de Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) e todas as garrafas são lacradas com um selo numerado para garantir a sua autenticidade.
Montepulciano:
Uma estrela medieval cheia de pracinhas, igrejas, fontes e muitas enotecas. A mais famosa, mas eu não visitei é a De’Ricci, que fica em um palécio do século 15, com uma adega imensa em 3 níveis no subterrâneo, sustentada por arcos que lembram uma catedral gótica.
Conhecida pelo requintado Vino Nobile, um dos melhores do mundo, Montepulciano tem um centro histórico que é um espetáculo a parte. A rua principal leva até a Piazza Grande, com o Duomo, construído entre 1592 e 1630, o Poço Medieval e o Palazzo dei Capitano del Popolo. Dentro das muralhas, estão a Igreja Sant’Agnese, a Fortaleza Del Sangallo e a Porta de Gracciano, restaurada em 1500.
Adiante, na Piazza Savonarola, fica a Igreja dedicada a São Bernardo e ao lado direito da rua um dos palácios renascentistas mais belos de toda a Itália, o Palazzo Avignonesi del Vignola, de uma das maiores famílias produtoras de vinho da cidade.
Não deixe de conhecer o Tempio di San Biagio, considerado um dos edifícios mais significativos do Renascimento italiano, somente a cúpula do templo, construída entre 1536 e 1544, possui 13 metros de diâmetro. Isolado e majestoso, o templo está cercado por ciprestes, formando a típica paisagem da região.
Greve in Chianti:
O símbolo do galo negro identifica os vinhos produzidos nesta região, entre Florença e Siena, onde as uvas são cultivadas desde antes de Cristo. É a mais importante produtora de vinhos tintos da Itália. Degustamos vinhos e azeite na pequena, familiar e maravilhosa vinícola Montefioralle. Depois fomos almoçar em um restaurante escondido no Castello di Montefioralle. Uma surpresa inesquecível!
Porém, a maior fama está no casarão ocre em que Mona Lisa teria nascido em 1479 e onde está localizada a vinícola Villa Vignamaggio. O Castello di Verrazzano, construído a mais de mais de mil anos é cercada por vinhedos. Aqui a degustação pode ser harmonizada.
Siena:
Siena é uma das cidades mais autênticas da Toscana. Menos “cenográfica” e mais real. A Piazza del Campo é o coração da cidade e onde acontece o famoso Palio. O Duomo de Siena impressiona não só pela fachada, mas pelo interior — um dos mais ricos da Itália.
Aqui vai uma dica pouco falada: evite entrar de carro no centro histórico. As ZTL (zonas de tráfego limitado) são extremamente controladas por câmeras, e as multas chegam meses depois.
Dica de estacionamento:
Parcheggio della Stazione di Siena é uma excelente opção, porque funciona 24h e uma escada rolante dá acesso ao centro da cidade. O valor médio é de 5 euros e fica na Piazzale Fratelli Rosselli.
San Gimignano:
Pensa num pitelzinho!! Como símbolo de poder, durante a Idade Média, famílias rivais foram construindo torres na cidade (Quanto maior a riqueza, maior a torre!). Antigamente, eram mais de 70. Hoje, há apenas 14 torres erguidas no alto da colina, transformando o cenário encantador.
Hoje em dia, a disputa é só para saber quantas bolas de gelato você vai experimentar na Gelateria Dondoli.
A cidade é tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e é lotada de lojinhas, cafés e pombinhos fazendo as necessidades na cabeça das pessoas (eu fui carimbada!)
Há muuuuitas vinícolas incríveis nesta região para degustação e almoço.
Dica de estacionamento: Existem quatro estacionamentos principais (P1, P2, P3 e P4), sendo o P2, o mais próximo do centro perto do centro. Ele é cheião, viu? São todos 24 horas. Fica localizado à rua Via Dei Fossi, 1.
Monteriggioni:
A 20km de Siena, entre vinhedos e oliveiras, fomos descobrimos, graças ao nosso guia, Monteriggioni. Pedimos que nos levasse em uma típica vila medieval no alto de uma montanha e foi encantador. Encontramos um castelo, uma fortaleza circular, uma praça, uma igrejinha e algumas casas floridas. Aos finais de semana de julho acontecem a Festa Medievale di Monteriggioni, que nos faz voltar ao passado.

Vinícolas que realmente valem a visita
A Toscana tem centenas de vinícolas, mas poucas entregam experiências memoráveis. Algumas que fazem diferença:
- Castello Banfi: estrutura impecável, ótima para quem quer algo completo.
- Biondi Santi: histórica, mais exclusiva e tradicional.
- Avignonesi: biodinâmica e com experiências gastronômicas incríveis.
- Antinori nel Chianti Classico: arquitetura moderna e uma das famílias mais importantes do vinho italiano.
Dica importante: reserve sempre com antecedência. Muitas vinícolas não aceitam visitantes sem agendamento — mesmo fora de alta temporada.
Dirigir na Toscana: o que ninguém te conta
Dirigir na Toscana é, ao mesmo tempo, uma das melhores e piores decisões — depende de como você faz.
As estradas são excelentes, mas:
- ZTL (zonas restritas) são extremamente rigorosas
- Estacionamento nos centros históricos é limitado
- Multas chegam no Brasil meses depois
O ideal é usar o carro para deslocamentos entre cidades e sempre estacionar fora dos centros históricos. Em cidades como Siena, o Parcheggio della Stazione resolve muito bem — com acesso fácil por escadas rolantes.
Outro ponto pouco falado: GPS pode te levar por estradas muito estreitas. Sempre que possível, priorize rotas principais.
Quando ir (e o que evitar)
Abril a junho e setembro a outubro são os melhores meses. Julho e agosto têm paisagens lindas, mas calor intenso e excesso de turistas.
Se quiser uma Toscana mais autêntica, evite agosto — é quando muitos italianos entram de férias e tudo fica mais cheio e mais caro.
Importante:
A Itália faz parte da Comunidade Europeia e exige a contratação de seguro viagem com cobertura mínima de EUR 30mil. Compre o seu seguro direto no nosso site.
Planeje sua Toscana do jeito certo
A Toscana pode ser uma viagem simples — ou extraordinária. Tudo depende de como você organiza.
Nós cuidamos de cada detalhe: escolha das cidades, reservas nas vinícolas certas, hotéis que realmente fazem sentido para o seu perfil, além de transfers e experiências que não aparecem nos roteiros prontos.
Se você quer viver a Toscana de verdade, com conforto, fluidez e boas escolhas, fale com a gente.
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